Manutenção de energia solar: checklist completo por frequência, custo real por serviço e os 5 sinais de que algo está errado
Guia prático de manutenção solar: cronograma mensal a cada 10 anos, custos de R$ 200/ano a R$ 5.000 na troca do inversor, apps de monitoramento e garantias.
Equipe Editorial
Energia Solar Explicada · Sobre nossa equipe
Sistema de R$ 20 mil, 25 anos de vida útil, R$ 200 por ano de manutenção. A conta simplificada dá R$ 5.000 em manutenção ao longo da vida do sistema. Só que essa conta esconde o maior gasto: a troca do inversor, que acontece uma vez, entre o ano 12 e o 15, e custa de R$ 3.000 a R$ 5.000. Somando tudo — limpeza, revisão elétrica, DPS, inversor novo — o custo real fica entre R$ 8 mil e R$ 10 mil em 25 anos. Ainda assim, representa menos de 8% da economia total que o sistema gera no período (R$ 127 mil em São Paulo, segundo nossas simulações).
A questão não é se manutenção custa caro. Não custa. A questão é saber o que fazer, quando e quanto separar.
O custo real ano a ano
A regra do mercado fotovoltaico brasileiro é 0,5% a 1% do investimento por ano em O&M — operação e manutenção. Pra um sistema residencial de 5 kWp que custou R$ 20 mil, estamos falando de R$ 100 a R$ 200 por ano. Na prática, esse valor cobre uma limpeza profissional e alguma inspeção visual.
Essa conta, porém, não inclui a troca do inversor. E aqui mora a diferença entre planejamento e surpresa. O inversor string tem vida útil de 10 a 15 anos — garantia de 10 na maioria das marcas (Growatt, Deye, WEG). Quando ele para, a geração inteira para. E o custo de um inversor novo de 5 kW em 2026 vai de R$ 2.500 (Growatt MIN 5000TL-X) a R$ 5.000 (Fronius Primo). Microinversores duram mais — 25 a 30 anos com garantia de até 25 (APsystems DS3D) — e evitam essa troca.
O que fazer todo mês: 5 minutos no app
Manutenção mensal de sistema solar não exige subir no telhado. Exige abrir o app do inversor no celular e olhar um número: a geração do último mês comparada com a do mesmo mês no ano anterior.
Cada marca tem seu app. O ShinePhone (Growatt) mostra geração em tempo real, histórico por dia, mês e ano, e envia push notification quando detecta erro. O SolarMAN (Deye) tem interface mais simples e funciona bem pra acompanhamento básico. O Fronius Solar.web é considerado o mais completo do mercado — compara geração esperada vs real com base na irradiação da região. O APsystems EMA faz monitoramento por painel individual (porque cada microinversor opera independentemente), ideal pra identificar qual módulo específico está com problema.
O que procurar: primeiro, se a geração mensal está dentro de 10% do esperado. Variação de até 10% é normal por diferença climática entre anos — acima disso sem motivo aparente, investigar. Segundo, alertas ativos: erro de comunicação, string desconectada, sobretemperatura. Qualquer alerta vermelho é motivo pra chamar técnico. Terceiro, o padrão de geração diário. O gráfico deveria parecer um sino — sobe de manhã, pico ao meio-dia, desce à tarde. Se o pico está achatado ou irregular, pode indicar sombreamento novo ou sujeira acumulada.
Cinco minutos por mês. Esse hábito evita que você descubra um problema só quando a conta de luz chega mais alta.
O que fazer a cada 6 meses: limpeza e inspeção visual
A limpeza dos painéis solares é a manutenção mais tangível — e a mais negligenciada. Poeira, fezes de pássaro, folhas e poluição urbana acumulam na superfície e reduzem a captação de luz. A perda por sujeira varia de 5% em regiões chuvosas a 25% em áreas secas com muita poeira (CRESESB/INPE). É uma perda reversível: limpe o painel e a geração volta ao normal.
Se fizer você mesmo, use água limpa e pano macio ou esponja. Nada de detergente, sabão, álcool ou jato de pressão — produtos químicos atacam o revestimento anti-reflexo do vidro temperado e o jato pode soltar a vedação entre vidro e moldura. Melhor horário: manhã cedo, quando os painéis estão frios. Água fria em painel quente causa choque térmico e pode gerar microfissuras nas células.
A limpeza profissional custa entre R$ 200 e R$ 400 pra sistemas residenciais de até 10 painéis em 2026 (Greener, LimpezaSolar). Empresas especializadas usam água deionizada e vassouras telescópicas com cabo extensível — não pisam nos painéis e não riscam o vidro. Quem contrata plano semestral paga menos por visita.
Na mesma ida ao telhado (ou da escada), faça uma inspeção visual rápida. Verifique se os cabos CC expostos estão íntegros — procure marcas de mordida de roedor, rachaduras no isolamento ou cabos soltos. Confira se os conectores MC4 estão encaixados firme, porque conector frouxo gera resistência, aquecimento e perda de geração. Dê uma sacudida leve nos trilhos e grampos de alumínio — se alguma coisa balançar, parafuso solto que vibra com vento e pode afrouxar o painel. E passe um pano nos ventiladores do inversor — poeira acumulada ali reduz a refrigeração e encurta a vida útil do equipamento.
O que fazer todo ano: a revisão que protege o investimento
A revisão anual é o serviço que separa sistema bem cuidado de sistema abandonado. Envolve um técnico com formação em fotovoltaica — preferencialmente o integrador que instalou o sistema ou empresa com registro no CREA — fazendo inspeção elétrica completa.
O que uma boa revisão anual cobre:
Na parte elétrica: reaperto de terminais na string box, verificação dos disjuntores CC e CA, teste do DPS (dispositivo de proteção contra surto), medição de tensão e corrente das strings com multímetro. O DPS tem vida útil limitada — depois de absorver surtos (comuns em regiões com tempestades frequentes), ele perde a capacidade de proteção e precisa ser trocado. A troca custa de R$ 80 a R$ 200 e deveria acontecer a cada 3 a 5 anos.
Na string box, o técnico verifica sinais de superaquecimento, arco elétrico, isolamento dos terminais e estado dos fusíveis. A string box é o ponto de convergência de toda a corrente contínua do sistema — qualquer problema ali afeta a segurança da instalação inteira.
O técnico também compara a geração real do último ano com a do ano anterior e com a projeção original do dimensionamento. Todo painel perde um pouco de potência com o tempo — a degradação natural fica em 0,5% ao ano depois do primeiro ano, que costuma ter queda maior de 2-3% por LID (Canadian Solar, Jinko, Trina). Se a geração caiu mais que 2% de um ano pro outro sem explicação climática, tem algo errado que não é degradação.
Quanto vai sair do bolso? A revisão elétrica sozinha custa de R$ 300 a R$ 600 — menos que uma parcela de financiamento (Canal Solar, 2025). Vários integradores já oferecem pacote combinado de limpeza mais revisão por R$ 500 a R$ 800 ao ano, o que facilita porque você resolve tudo numa visita só.
Ano 12 a 15: a troca do inversor
O inversor solar é o único componente do sistema com vida útil menor que a dos painéis. Enquanto os módulos fotovoltaicos duram 25 a 30 anos com degradação gradual e previsível, o inversor string para de funcionar entre o ano 10 e o 15. Não é falha — é fim de ciclo. Os capacitores internos degradam, a eficiência de conversão cai e, em algum momento, o equipamento simplesmente desliga.
Quando trocar: se o inversor começou a apresentar erros frequentes, reinicializações diárias ou queda de eficiência medida (geração caiu mas os painéis estão limpos e a irradiação está normal), provavelmente chegou a hora. A maioria das marcas tem diagnóstico remoto pelo app — o suporte da Growatt ou da Deye consegue puxar os logs do equipamento e confirmar se é caso de troca.
Em 2026, o inversor em si custa de R$ 2.500 a R$ 5.000 pra potências residenciais de 3 a 8 kW (Growatt, Deye, WEG, Fronius — comparativo detalhado no artigo de melhores inversores). A instalação do novo equipamento custa mais R$ 300 a R$ 600 de mão de obra. Total: R$ 3.000 a R$ 5.500.
Quem escolheu microinversor na instalação original escapa dessa troca. APsystems e Deye oferecem garantia de 15 a 25 anos nos micros, e a vida útil projetada chega a 30 anos. O custo inicial é maior — R$ 5.000 a R$ 9.000 pra um sistema de 5 kWp contra R$ 2.500 a R$ 4.500 do string — mas a economia com a troca no ano 12 compensa boa parte da diferença.
5 sinais de que o sistema tem problema
Você não precisa ser eletricista pra perceber que algo está errado. Estes cinco sinais são visíveis pra qualquer dono de sistema solar:
Queda de geração acima de 10% sem razão climática. Se o app mostra que fevereiro de 2026 gerou 15% menos que fevereiro de 2025 e não houve diferença significativa de nebulosidade, o sistema tem problema. Pode ser sujeira acumulada, cabo solto, disjuntor desarmado ou inversor com defeito. Antes de chamar técnico, limpe os painéis — se a geração não voltar, aí sim é hora de investigar.
LED do inversor vermelho ou piscando. Verde = operação normal. Amarelo = alerta leve (geralmente erro de comunicação com o Wi-Fi). Vermelho = falha que impede geração. Cada marca tem códigos específicos — o manual traz a lista, mas na prática é mais fácil tirar foto do LED e mandar pro suporte via app ou WhatsApp do integrador.
Conta de luz voltou a subir. Parece óbvio, mas é o sintoma mais ignorado. Gente que instalou solar e desligou o acompanhamento mental da conta de luz. Se o valor subiu R$ 50 ou mais em relação ao padrão pós-solar, verifique a geração no app. Pode ser inversor parado há semanas sem que ninguém tenha percebido.
Barulho incomum no inversor. Ventiladores desgastados fazem ruído de atrito, cliques repetitivos indicam problema no relé ou nos capacitores. Inversor saudável faz um zumbido leve e constante durante o dia — qualquer som diferente merece atenção.
Mancha escura visível no painel (hotspot). Uma célula danificada ou com sujeira pesada concentrada vira ponto quente — um hotspot — que pode degradar permanentemente aquela região do módulo. Visível a olho nu como descoloração localizada na superfície. Em casos graves, o vidro trinca por superaquecimento. Termografia infravermelha identifica hotspots antes de virarem visíveis, mas a inspeção custa de R$ 400 a R$ 800 e geralmente compensa só pra sistemas maiores que 10 kWp.
Garantias: o que está coberto (e o que não está)
A proteção de um sistema solar vem em camadas, cada uma com prazo e cobertura diferentes.
Os painéis têm garantia de produto de 12 a 15 anos (cobre defeito de fabricação — célula queimada, delaminação, caixa de junção com defeito) e garantia de performance de 25 a 30 anos. Pra você ter ideia: a Canadian Solar garante 84,8% no ano 25, a Jinko promete 87,4% em 30 anos com a linha Tiger N-type, e a Trina fica em 83,1% no ano 25 (dados dos próprios fabricantes, 2025). Se seus painéis estiverem abaixo desses percentuais, a obrigação do fabricante é repor ou compensar financeiramente.
O inversor tem garantia mais curta: 10 anos pra Growatt, Deye e WEG, 10 pra Fronius, 25 pra APsystems (microinversor). Algumas marcas vendem extensão — a Growatt oferece de 10 pra 15 anos por valor adicional. A garantia cobre defeito de fabricação e falha de componente interno, mas não cobre surtos elétricos (por isso o DPS é obrigatório), instalação incorreta ou danos por umidade em local sem ventilação.
Estrutura de fixação: 10 a 15 anos. Trilhos e grampos de alumínio anodizado resistem bem ao tempo, mas parafusos de aço podem corroer em região litorânea.
Já a garantia de mão de obra depende de quem instalou. A maioria dos integradores dá 1 ano; os certificados pela ABSOLAR chegam a 5. Essa garantia cobre erros de instalação — cabo mal dimensionado, conector mal crimpado, painel mal fixado. Parece pouco? Na prática, se a instalação foi bem feita, problema de mão de obra aparece nos primeiros meses.
Ponto de atenção: garantia de equipamento é do fabricante, garantia de instalação é do integrador. Se o integrador fechar as portas em 3 anos, a garantia de mão de obra desaparece. A dos painéis e inversor continua válida — mas você precisa acionar o fabricante diretamente, o que é mais trabalhoso.
E o seguro solar?
Seguro pra sistema solar residencial não é obrigatório, mas existe e custa menos do que a maioria imagina. As coberturas padrão protegem contra danos que a garantia do fabricante não cobre: granizo, vendaval, incêndio, roubo e danos elétricos por surto na rede.
O BV oferece seguro solar com vigência de 12, 24 ou 36 meses, atrelado ao financiamento do sistema. O Sicredi tem produto específico pra equipamentos fotovoltaicos com cobertura contra eventos climáticos, roubo e danos elétricos, parcelável em até 10 vezes. Akad e Porto Seguro também atuam no segmento.
O custo gira em torno de 0,3% a 1% do valor do sistema por ano — entre R$ 60 e R$ 200 pra um sistema de R$ 20 mil. Pra quem mora em região com tempestades de granizo frequentes (parte do RS, SC, PR, GO) ou em área com histórico de roubo, faz sentido. Pra quem está em bairro residencial protegido em São Paulo, talvez o custo de oportunidade não justifique.
Uma dica: antes de contratar seguro separado, verifique se o seu seguro residencial atual aceita incluir o sistema solar como cobertura adicional. Muitas apólices multirisco permitem essa inclusão por um aditivo de custo baixo.
Na ponta do lápis: o custo total em 25 anos
Botando tudo na conta: 5 minutos por mês no app (grátis), uma limpeza a cada 6 meses (R$ 200 a R$ 400 por profissional ou grátis se fizer você mesmo), revisão elétrica anual (R$ 300 a R$ 600), troca do DPS a cada 3-5 anos (R$ 80 a R$ 200) e a troca do inversor string no ano 12-15 (R$ 3.000 a R$ 5.000). Quem tem microinversor pula essa última.
O custo total de manutenção em 25 anos, incluindo a troca do inversor, fica entre R$ 8 mil e R$ 10 mil pra um sistema de 5 kWp. Parece muito? A economia projetada no mesmo período chega a R$ 127 mil em São Paulo — a manutenção consome menos de 8% disso. A calculadora de payback do site já inclui 1% ao ano de manutenção nos cálculos.
O sistema mais caro de manter é o sistema que ninguém olha. Aquela economia na conta de luz depende de geração constante, todo mês, por 25 anos. Cinco minutos no app e uma limpeza por semestre garantem que o painel continua fazendo sua parte.