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Energia Solar Explicada
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guias 11 min de leitura

On-grid, off-grid ou híbrido: quanto custa cada sistema solar, o que muda nos equipamentos e qual faz sentido pra você

Comparação completa entre sistemas solares on-grid, off-grid e híbrido em 2026: custos de R$ 20 mil a R$ 45 mil, equipamentos, Fio B e quando cada um compensa.

ES

Equipe Editorial

Energia Solar Explicada · Sobre nossa equipe

Composição com casa urbana brasileira com painéis solares conectados à rede e sítio rural com painéis e banco de baterias ao fundo
A escolha entre on-grid e off-grid depende mais de onde você mora do que de quanto quer economizar

E se acabar a luz na sua rua agora? Quem tem painel solar no telhado continua com energia, certo? Errado. Se o sistema é on-grid — o tipo que 97% dos brasileiros instalam — ele desliga junto com a rede. Os painéis param de gerar, a geladeira aquece, o home office morre. Pra manter tudo funcionando no apagão, você precisa de bateria, e isso muda completamente o projeto, o custo e os equipamentos envolvidos.

Essa confusão é mais comum do que parece. A maioria das pessoas pesquisa “energia solar” pensando num único tipo de sistema, mas existem três topologias bem diferentes: on-grid (conectado à rede), off-grid (isolado, com baterias) e híbrido (conectado à rede E com baterias). Cada um tem equipamentos específicos, faixas de preço distintas e cenários onde faz sentido. Vamos direto aos números e às diferenças práticas.

Como funciona cada topologia

On-grid (grid-tie) é o sistema padrão. Os painéis solares geram energia em corrente contínua, o inversor on-grid converte pra corrente alternada, e a casa consome. O que sobra vai pra rede da distribuidora como crédito de energia — é o sistema de compensação regulado pela ANEEL desde 2012. À noite ou em dias nublados, você puxa energia da rede e abate dos créditos acumulados. Sem bateria, sem controlador de carga, sem banco de baterias. É o mais simples e o mais barato de instalar.

Equipamentos: painéis fotovoltaicos, inversor string (Growatt, Deye, WEG) ou microinversor (APsystems), string box, estrutura de fixação e cabeamento. Homologação obrigatória na distribuidora.

Off-grid (sistema isolado) não tem conexão com a rede elétrica. Toda a energia gerada é consumida na hora ou armazenada num banco de baterias pra uso à noite e em dias de baixa irradiação. É o sistema de quem mora em sítio, fazenda ou comunidade rural onde a rede não chega — ou onde puxar um ramal da concessionária custaria R$ 50 mil a R$ 100 mil por quilômetro de extensão.

Equipamentos: painéis, controlador de carga MPPT (que regula a tensão entre painel e bateria), banco de baterias de lítio LFP ou chumbo-ácido, inversor off-grid (diferente do on-grid — converte DC das baterias pra AC) e, dependendo do porte, gerador diesel de backup pra dias consecutivos sem sol.

Híbrido é o melhor dos dois mundos, com o preço dos dois juntos. O sistema fica conectado à rede (como on-grid) mas tem um inversor híbrido e banco de baterias. Durante o dia, os painéis alimentam a casa e carregam as baterias. O excedente vai pra rede como crédito. À noite, a casa consome das baterias primeiro. Se a rede cair, o inversor híbrido faz a comutação automática pro modo off-grid em menos de 10 milissegundos — tempo de UPS, sem nem piscar a luz.

Equipamentos: painéis, inversor híbrido (GoodWe ES G2, Deye, Growatt SPH), bateria de lítio LFP (5 a 15 kWh), string box e estrutura. A grande vantagem técnica: dá pra instalar o sistema on-grid agora e adicionar bateria depois, sem trocar o inversor.

A conta de cada um: custos pra 5 kWp

A diferença de preço entre as três topologias é grande. E a bateria é a principal responsável.

Um sistema on-grid de 5 kWp — que atende uma casa com consumo de 400 a 500 kWh/mês — custa entre R$ 17 mil e R$ 22 mil instalado e homologado (Greener, 2025). São 9 a 10 painéis de 550W, um inversor string de 5 kW, estrutura e mão de obra. Payback de 4 a 6 anos dependendo da tarifa e da cidade, como a gente detalhou no guia sobre quanto custa energia solar residencial.

O mesmo sistema em versão off-grid sai entre R$ 35 mil e R$ 50 mil. A potência dos painéis até pode ser parecida, mas o banco de baterias LFP de 10 kWh sozinho custa de R$ 12 mil a R$ 20 mil (Portal Solar, 2025). Some o controlador de carga MPPT (R$ 800 a R$ 2.500), o inversor off-grid (R$ 2 mil a R$ 5 mil) e a instalação mais complexa. O custo total fica 2 a 2,5 vezes maior que o on-grid.

A versão híbrida cai no meio: R$ 28 mil a R$ 40 mil. O inversor híbrido custa mais que o string convencional (R$ 3 mil a R$ 6 mil vs R$ 2 mil a R$ 4 mil), e a bateria é o mesmo custo do off-grid. A diferença pro off-grid é que o híbrido dispensa o controlador de carga e usa bateria menor (5 a 10 kWh basta pra backup noturno, já que a rede está disponível como suporte).

Comparacao de custo total de sistemas solares de 5 kWp: on-grid R$ 20 mil, hibrido R$ 34 mil e off-grid R$ 42 mil
A bateria dobra o investimento: off-grid custa 2x mais que on-grid pra mesma potencia de paineis (dados fev/2026)

Na ponta do lápis: quem mora em área urbana com rede estável e coloca R$ 20 mil no on-grid começa a ter retorno em 4 a 6 anos. Os mesmos R$ 20 mil num sistema híbrido de R$ 34 mil significam financiar a diferença ou tirar do bolso — e o payback estica pra 8 a 10 anos por causa da bateria que, por enquanto, não se paga pela economia que gera.

O Fio B empurra pra qual lado

O Fio B — a cobrança progressiva sobre energia injetada na rede, criada pela Lei 14.300/2022 — está em 60% em 2026 e vai a 90% em 2029. Isso muda a equação dos três sistemas de formas diferentes.

No on-grid, o Fio B morde direto. Cada kWh que você injeta na rede paga 60% do componente de distribuição (TUSD). Se 70% da sua geração é injetada e 30% é autoconsumo instantâneo, a perda fica em torno de R$ 50 a R$ 70 por mês num sistema de 5 kWp em São Paulo. Incômodo, mas não mata o negócio — energia solar ainda vale a pena em 2026 mesmo com essa mordida.

No off-grid, Fio B simplesmente não existe. O sistema não se conecta à rede, não injeta energia, não usa a infraestrutura da distribuidora. Zero cobrança. Mas esse “benefício” tem preço: você pagou R$ 15 mil a R$ 25 mil a mais em baterias pra evitar R$ 700 a R$ 840 por ano de Fio B. A conta não fecha só pelo Fio B.

No híbrido, o Fio B cai bastante. Com bateria de 10 kWh, dá pra subir o autoconsumo de 30% pra 60-70%. A energia que seria injetada na rede (e pagaria Fio B) vai pra bateria e é consumida à noite. A economia com Fio B fica em R$ 350 a R$ 500 por ano — significativa, mas longe de justificar sozinha o custo da bateria.

Novidade regulatória: a Lei 15.269/2025 estendeu o REIDI (regime de incentivos fiscais) pra projetos de armazenamento em bateria. Na prática, isso abre caminho pra zerar imposto de importação sobre BESS. Lá fora, o preço já desabou — US$ 70/kWh no atacado pra armazenamento estacionário, 45% menos que em 2024 (BloombergNEF, 2025). No Brasil ainda pagamos R$ 1.200 a R$ 2.000 por kWh. Quando essa conta cair pela metade — e a trajetória aponta pra 2028, 2029 —, instalar sistema sem bateria vai parecer tão estranho quanto comprar carro sem ar-condicionado.

Equipamentos: o que muda de um sistema pro outro

O painel fotovoltaico é o mesmo nos três sistemas. Um módulo monocristalino de 550W da Canadian Solar, Jinko ou Trina funciona em qualquer topologia. A diferença está no que vem depois do painel.

O inversor é o componente que mais muda. No on-grid, um inversor string Growatt MIN 5000TL-X (5 kW, garantia 10 anos) custa cerca de R$ 2.500 e converte a corrente contínua dos painéis direto pra alternada sincronizada com a rede. No off-grid, o inversor precisa trabalhar com as baterias — são equipamentos diferentes, com lógica de controle diferente. No híbrido, inversores como o GoodWe ES G2 e o Deye SUN-5K fazem as duas coisas: sincronizam com a rede, gerenciam carga e descarga das baterias, e fazem comutação automática pra backup em caso de queda.

O controlador de carga só existe no off-grid. Ele fica entre os painéis e as baterias, regulando tensão e corrente pra proteger as células. Os melhores são MPPT (Maximum Power Point Tracking), que extraem até 30% mais energia dos painéis que os PWM mais baratos. Custam de R$ 800 a R$ 2.500 dependendo da amperagem.

As baterias aparecem no off-grid e no híbrido. A tecnologia dominante é LFP (lítio-ferro-fosfato): vida útil de 6.000 a 8.000 ciclos (15 a 20 anos), sem risco de incêndio térmico, eficiência de 95%. Baterias de chumbo-ácido ainda existem no off-grid mais básico, mas duram 3 a 5 anos e pesam 4 vezes mais — a economia no curto prazo vira prejuízo antes do quinto ano.

Diagrama comparando equipamentos dos tres tipos de sistema solar: on-grid com inversor string, off-grid com controlador e baterias, hibrido com inversor hibrido e baterias
On-grid tem 4 componentes, off-grid e hibrido tem 5 ou 6 -- a complexidade extra esta nas baterias e na eletronica de controle

Qual sistema pra qual situação

Casa urbana, rede estável, consumo de 300-700 kWh/mês: on-grid, sem pensar duas vezes. R$ 17 mil a R$ 25 mil, payback de 4 a 6 anos, manutenção mínima. O Brasil tem 4,6 milhões de sistemas de geração distribuída conectados à rede (ABGD, 2025), e 97% são on-grid. Existe uma razão pra isso: a rede funciona como uma bateria infinita e gratuita.

Sítio, fazenda ou comunidade sem acesso à rede: off-grid é a única opção viável. Levar um ramal da concessionária pode custar R$ 50 mil a R$ 100 mil por quilômetro. Um sistema off-grid de 3 a 5 kWp com banco de baterias sai entre R$ 25 mil e R$ 50 mil e resolve iluminação, geladeira, bomba d’água, cerca elétrica e alguns eletrodomésticos. Pra quem precisa de chuveiro elétrico e ar-condicionado, o investimento sobe pra R$ 80 mil ou mais — nesses casos, vale redimensionar o consumo antes de dimensionar o sistema.

Casa urbana com quedas frequentes de energia ou equipamentos sensíveis (home office, servidores, aquário): híbrido faz sentido. Você mantém os benefícios do on-grid (créditos de energia, payback mais curto) e adiciona backup. A bateria de 5 kWh (R$ 6 mil a R$ 10 mil) segura as cargas essenciais por 3 a 5 horas. A de 10 kWh cobre uma noite inteira. A longo prazo, com o Fio B subindo pra 90% em 2029 e as baterias barateando, o híbrido vai ser a configuração padrão pra instalações novas.

Quem já tem on-grid e quer adicionar bateria: dois caminhos. Se o inversor é compatível (alguns Growatt e Deye recentes aceitam expansão), basta plugar a bateria e reconfigurar. Se não é, troca o inversor por um híbrido e instala o banco — o famoso retrofit. Custo? De R$ 15 mil a R$ 25 mil dependendo da capacidade. Faça a conta: se você perde R$ 700 por ano de Fio B hoje, a bateria de R$ 15 mil leva 21 anos pra se pagar só com essa economia. Só faz sentido se o backup tem valor real pra você — home office que não pode parar, freezer cheio, equipamento médico.

A decisão em 2026

Vamos simplificar. Mora na cidade, tem rede da Enel, CPFL ou Equatorial funcionando? On-grid. R$ 20 mil, payback de 5 anos, zero manutenção de bateria. Não tem mistério.

Mora num sítio em Goiás onde a concessionária quer R$ 80 mil pra puxar um ramal de 1,5 km? Off-grid. Vai custar R$ 35 mil a R$ 50 mil com baterias LFP de 10 kWh (Portal Solar, 2025), mas compensa quando a alternativa é gerador diesel a R$ 4 por litro. Bateria de lítio no Brasil ainda sai R$ 1.200 a R$ 2.000 por kWh armazenado. No atacado internacional já caiu pra US$ 70/kWh (BloombergNEF, 2025) — a tendência é o preço doméstico acompanhar em 2 a 3 anos, puxado pela Lei 15.269/2025 que zerou imposto de importação pra BESS e pelo primeiro leilão de baterias marcado pra este ano.

E o híbrido? Quem instalar on-grid agora faz bem em pedir orçamento já com inversor híbrido — o custo extra é de R$ 1 mil a R$ 2 mil sobre o string convencional, e evita trocar o equipamento inteiro daqui a 3 anos quando a bateria de 10 kWh estiver abaixo de R$ 8 mil. É uma aposta no Fio B a 90% em 2029 e nas baterias barateando. Uma aposta boa, mas que ainda não se paga no curto prazo.

O Brasil tem 63 GW de capacidade solar em janeiro de 2026 (ABSOLAR). Projeção de 75,9 GW até dezembro. 97% disso é on-grid conectado à geração distribuída, com 4,6 milhões de sistemas (ABGD, 2025). Mas quem acompanha o setor percebe a virada: integradoras começaram a montar kits híbridos de prateleira, a GoodWe lançou a linha ES G2 calibrada pro mercado brasileiro, e a Deye vende mais inversores híbridos a cada trimestre. A bateria vai chegar. A questão é se vale esperar ou se preparar agora.

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