Energia solar por assinatura: como funciona e quanto economiza
Energia solar por assinatura permite economizar na conta de luz sem instalar nenhum painel no telhado. Você "assina" uma cota de uma usina solar remota e recebe créditos de energia que abatem direto na sua fatura. Sem obra, sem investimento, sem compromisso com equipamentos.
No jargão da ANEEL, isso se chama geração distribuída na modalidade de geração compartilhada ou autoconsumo remoto. Na prática, é uma empresa que montou uma fazenda solar, gera energia pra rede e divide os créditos entre os assinantes.
Como funciona na prática
O modelo é simples: uma empresa instala uma usina solar de médio porte (geralmente entre 1 e 5 MW) em uma região com boa irradiação. A energia gerada é injetada na rede da distribuidora e se transforma em créditos de energia. Esses créditos são distribuídos proporcionalmente entre os assinantes.
Quando os créditos chegam na sua conta, a distribuidora abate o equivalente do seu consumo. Se a usina gerou 500 kWh em créditos pra você e você consumiu 400 kWh, os 100 kWh extras ficam como crédito pro mês seguinte (valem 60 meses).
A empresa cobra uma mensalidade ou uma porcentagem dos créditos gerados. A economia pro consumidor fica entre 10% e 20% em relação à conta cheia. Ou seja: se sua conta seria de R$ 300, você paga R$ 240-270 (créditos + assinatura somados).
Quanto se economiza
A economia média fica entre 10% e 20% da conta de luz. É menos que a economia de um sistema próprio (80-90%), mas não exige investimento inicial. A conta é assim:
- A distribuidora cobra R$ 300 pela energia consumida
- A usina gera créditos equivalentes a R$ 250
- Você paga R$ 50 pra distribuidora (custo de disponibilidade + excedente) + R$ 200 pra empresa solar (80% dos créditos)
- Total: R$ 250 vs R$ 300 = economia de R$ 50 (17%)
O percentual varia por empresa. Algumas cobram 80% do valor dos créditos (economia de 20%), outras 90% (economia de 10%). O desconto maior geralmente vem com contratos mais longos (24-36 meses).
Pra quem faz sentido
Energia por assinatura é ideal pra quem não pode ou não quer instalar painéis: moradores de apartamento, inquilinos, imóveis com telhado inadequado (sombra, amianto, orientação ruim) ou quem simplesmente não quer lidar com equipamentos.
Também funciona como "teste" antes de investir num sistema próprio. Assina por 12 meses, vê como a compensação de créditos funciona na prática, e depois decide se quer investir R$ 15-25 mil em painéis próprios.
Não faz sentido pra quem tem telhado bom e capital disponível (ou acesso a financiamento). O sistema próprio economiza 4-5x mais. E não faz sentido em áreas onde a distribuidora tem atrasos crônicos na compensação de créditos.
Riscos e cuidados
O mercado de energia por assinatura cresceu rápido — e junto vieram empresas sem estrutura. Cuidados essenciais:
- Verifique o CNPJ na ANEEL: a empresa deve ter usinas registradas como geração distribuída
- Leia o contrato inteiro: atenção a prazo mínimo, multa por cancelamento, reajuste da mensalidade e cláusula de mudança de endereço
- Desconfie de economia acima de 25%: a conta não fecha. Ou os créditos não vão cobrir o prometido, ou a empresa vai compensar cobrando em outro ponto
- Confirme a distribuidora: os créditos só funcionam dentro da mesma distribuidora. Se você é Enel SP, a usina precisa ser Enel SP
Diferença entre assinatura, mercado livre e GD própria
Assinatura (geração compartilhada): você recebe créditos de uma usina que não é sua. Economia de 10-20%. Sem investimento. Regulado pela ANEEL como GD.
Mercado livre de energia: disponível só pra consumidores com demanda contratada acima de 500 kW (grandes empresas). Desde 2024, consumidores acima de 30 kW também podem migrar. Economia de 20-35%, mas exige contrato com comercializadora.
GD própria: você instala painéis no seu telhado. Investimento de R$ 15-25 mil (residencial). Economia de 80-90%. Guia completo aqui.
Empresas do mercado
As maiores operadoras de energia solar por assinatura no Brasil incluem: Lemon Energia, Sun Mobi, Sou Energy, Statkraft (norueguesa) e Raízen Solar. Cooperativas de energia solar também operam nesse modelo, especialmente no Sul e Sudeste.
O mercado está em consolidação. Várias startups que entraram em 2021-2023 foram absorvidas ou fecharam. Priorize empresas com pelo menos 2 anos de operação e usinas em funcionamento (não "em construção").
Perguntas frequentes
Energia solar por assinatura é confiável?
Sim, desde que a empresa esteja regularizada na ANEEL como geração distribuída. A economia fica entre 10% e 20% da conta de luz. Desconfie de promessas acima de 25% — geralmente envolvem contratos longos com multas pesadas.
Qual a diferença entre assinatura e geração compartilhada?
Na prática, são a mesma coisa com nomes diferentes. A empresa dona da usina solar vende créditos de energia que abatem na sua conta. A ANEEL chama de "geração compartilhada" (modalidade prevista na Lei 14.300). O mercado adotou "energia por assinatura" como termo comercial.
Precisa instalar alguma coisa na minha casa?
Não. A usina solar fica em outro local. Você só precisa ter conta de luz ativa na mesma distribuidora. Os créditos aparecem automaticamente na sua fatura mensal.
O que acontece se eu me mudar?
Depende do contrato. A maioria permite transferência para outro endereço desde que continue na mesma distribuidora. Alguns contratos cobram taxa de transferência. Confira a cláusula de mudança antes de assinar.