Financiamento de energia solar: todas as opções comparadas
Nem todo mundo tem R$ 20 mil na mão pra instalar painéis solares. E tudo bem: o mercado de crédito solar no Brasil é maduro, com pelo menos 5 opções relevantes de financiamento bancário, 3 administradoras de consórcio e linhas subsidiadas no Nordeste. A questão não é se dá pra financiar, mas qual forma de pagamento faz mais sentido pro seu caso.
Este guia compara as três vias — financiamento bancário, consórcio e pagamento à vista — com números reais, simulações e o impacto de cada uma no payback do sistema.
Pagamento à vista
A opção mais simples e mais barata. Sem juros, sem parcelas, economia imediata desde o primeiro mês. Pra um sistema de R$ 20 mil com economia líquida de R$ 275/mês (já descontando Fio B e manutenção), o payback fica em torno de 5 anos em São Paulo.
O único contraponto é o custo de oportunidade. R$ 20 mil aplicados num CDB a 100% do CDI (Selic a 13,25% em fev/2026) rendem cerca de R$ 170 mil líquidos de IR em 25 anos. Os mesmos R$ 20 mil em solar geram economia de R$ 127 mil em SP ou R$ 186 mil em Belém. Em SP, o CDB ganha; em Belém, solar ganha.
Mas a Selic não vai ficar em 13,25% por 25 anos. Em 2021 era 2%. A energia solar é um hedge contra inflação energética: os reajustes de 7% ao ano fazem a economia crescer independente de política monetária.
Financiamento bancário
O financiamento solar funciona como qualquer crédito com garantia: o banco libera o valor, você paga em parcelas fixas com juros, e o sistema fica como garantia (alienação fiduciária em alguns casos).
Banco BV
Líder de mercado com 47% de share no financiamento solar no Brasil (dados BV, 2025). Taxa a partir de 1,17% ao mês (15% ao ano), prazo de até 96 meses e carência de 120 dias pro primeiro pagamento. Financia até 100% do sistema sem entrada.
Simulação: sistema de R$ 20 mil, 72 meses, taxa de 1,17% a.m. Parcela: ~R$ 420/mês. Custo total com juros: R$ 30.240. A economia na conta de luz começa em R$ 275/mês, cresce 7% ao ano com o reajuste tarifário. No mês 1, você tira R$ 145 do bolso (R$ 420 - R$ 275). Lá pelo mês 30, a economia já iguala a parcela. Depois do financiamento (mês 72), a economia é toda sua.
Santander
Segundo colocado com 25% de market share. Taxa a partir de 1,11% ao mês — a menor entre os bancos comerciais. Prazo de até 96 meses, carência de 120 dias. Condições muito parecidas com o BV, com taxa ligeiramente menor. O Santander costuma ser mais exigente na análise de crédito.
Solfacil
Fintech especializada em crédito solar. Já financiou mais de R$ 5 bilhões em projetos no Brasil. O diferencial é a aprovação por biometria facial em 30 segundos, prazo de até 120 meses e carência de 6 meses. O CET varia de 1,17% a 1,4% ao mês dependendo do perfil.
O prazo de 120 meses (10 anos) é o maior do mercado. A parcela fica menor (R$ 340/mês pra R$ 20 mil), mas o custo total com juros é significativamente maior (R$ 40.800 vs R$ 30.240 em 72 meses).
BNB (Banco do Nordeste)
Exclusivo pra região Nordeste. O FNE Sol oferece taxas subsidiadas (a partir de 0,75% a.m. pra pessoa física) e limite de R$ 100 mil. É a opção mais barata do mercado, mas restrita geograficamente. Exige projeto técnico completo e análise presencial.
BNDES (via bancos credenciados)
O BNDES não financia diretamente — opera via bancos credenciados (Caixa, BB, Sicredi). A linha Finame Energia Renovável cobre até 80% do projeto pra pessoa jurídica, com taxa fixa + IPCA. Pra pessoa física o acesso é mais limitado. Os prazos chegam a 120 meses com carência de até 24 meses.
| Banco | Taxa (a.m.) | Prazo | Carência | Entrada |
|---|---|---|---|---|
| Banco BV | a partir de 1,17% | até 96 meses | 120 dias | 0% |
| Santander | a partir de 1,11% | até 96 meses | 120 dias | 0% |
| Solfacil | 1,17% - 1,40% | até 120 meses | 6 meses | 0% |
| BNB (FNE Sol) | a partir de 0,75% | até 144 meses | 12 meses | 0-10% |
| BNDES | variável (IPCA+) | até 120 meses | até 24 meses | 20% |
Taxas mínimas anunciadas — o CET real depende da análise de crédito individual. Dados de fevereiro de 2026.
Consórcio solar
Consórcio não tem juros — tem taxa de administração, que é o custo total diluído no prazo. As administradoras com cartas de crédito pra energia solar:
Porto Seguro: taxa de administração de 19-20% total, prazo de 120-180 meses. Cartas de R$ 20 mil a R$ 200 mil.
Embracon: taxa de 19-21% total, prazo de 120-180 meses. Uma das maiores administradoras do Brasil com presença nacional.
Sicredi: taxa de 10% total em 120 meses pra cooperados — a opção mais agressiva do mercado de consórcio solar. Exige ser cooperado do Sicredi.
O problema do consórcio
A pegadinha é o tempo até a contemplação. Em média, são 24 meses até você receber a carta de crédito (pode ser no primeiro mês por sorteio, ou no último por diluição). Durante esses 24 meses sem sistema, você paga parcela do consórcio E conta de luz cheia. São 24 meses de economia desperdiçada.
Simulação: sistema de R$ 20 mil, economia de R$ 275/mês. Num financiamento BV em 72 meses, a economia começa no mês 1. Num consórcio Sicredi (10% taxa, 120 meses), se contemplado no mês 24, você perdeu R$ 6.600 de economia que teria tido com financiamento.
O comparativo completo entre as três opções está no artigo financiamento energia solar: comparativo.
Qual a melhor opção pra cada perfil
Tem o dinheiro e mora em cidade com tarifa alta (>R$ 0,70/kWh): à vista. O retorno solar supera qualquer aplicação de renda fixa com esse perfil.
Tem o dinheiro mas mora no Sul (tarifa baixa, pouco sol): faça as contas. O CDB pode render mais que o sistema solar nos primeiros 10 anos. Mas lembre que a tarifa sobe e o CDI oscila.
Não tem o valor à vista: financiamento bancário. A parcela fica acima da economia nos primeiros 2-3 anos, mas depois inverte. No final do financiamento, a economia acumulada já superou os juros pagos.
Planeja com antecedência e é cooperado Sicredi: consórcio Sicredi (10% taxa). Se for contemplado rápido (lance + sorteio), o custo total é menor que qualquer financiamento.
Mora no Nordeste: BNB FNE Sol. Taxa subsidiada de 0,75% a.m. faz a parcela ficar menor que a economia desde o primeiro mês. É dinheiro grátis, efetivamente.
Impacto no payback
A forma de pagamento altera dramaticamente o payback. Sistema de R$ 20 mil em São Paulo (economia de R$ 275/mês):
- À vista: payback em 5 anos
- BV 72 meses (1,17% a.m.): payback em 7,5 anos (considera juros + economia)
- Solfacil 120 meses (1,30% a.m.): payback em 10 anos
- BNB FNE Sol (0,75% a.m., 96 meses): payback em 6 anos
- Consórcio Sicredi (10% taxa, contemplado no mês 24): payback em 7,5 anos
Mesmo no pior cenário (Solfacil 120 meses), o payback é 10 anos e a economia nos 15 anos restantes compensa. Nenhuma das opções torna o investimento negativo em 25 anos.
Cuidados na contratação
Leia o CET, não a taxa anunciada. A taxa de 1,17% a.m. do BV é o piso — o CET real, com IOF e seguros, pode ficar em 1,35-1,50% a.m. O CET é o número que importa.
Verifique se o financiamento cobre instalação. Alguns bancos financiam apenas equipamento, não mão de obra. Nesse caso, você precisa pagar a instalação por fora (R$ 3-5 mil dependendo da complexidade).
Cuidado com consórcio "com contemplação garantida". Não existe. Contemplação depende de sorteio ou lance. Quem promete contemplação garantida está vendendo algo irregular.
Negocie a carência. Os 120 dias de carência do BV/Santander são estratégicos: dá tempo de instalar e homologar o sistema antes da primeira parcela. Se a carência for menor que o tempo de instalação, você vai pagar parcela sem ter economia ainda.
Perguntas frequentes
Qual o melhor banco pra financiar energia solar?
O Banco BV lidera o mercado com 47% de share, taxa a partir de 1,17% a.m. e prazo de até 96 meses. O Santander tem a menor taxa de entrada (1,11% a.m.). A Solfacil oferece o maior prazo (120 meses) com carência de 6 meses. O "melhor" depende do seu perfil: quem precisa de parcela menor deve preferir prazos longos; quem quer pagar menos juros, prazos curtos.
Financiamento solar compensa mais que pagar à vista?
Financeiramente, à vista é sempre mais barato (sem juros). Mas se o dinheiro está rendendo mais aplicado (Selic a 13,25%) do que o custo do financiamento (1,17% a.m. = 15% a.a.), pode fazer sentido financiar e manter o capital investido. É uma decisão de custo de oportunidade.
Consórcio solar vale a pena?
Consórcio não tem juros, mas tem taxa de administração (10-20% no total) e espera pela contemplação (média de 24 meses). Durante a espera, você continua pagando conta de luz cheia. Pra quem tem pressa, financiamento compensa mais. Pra quem planeja com antecedência e quer custo total menor, consórcio pode ser uma opção.
Precisa de entrada pra financiar?
Depende do banco. O BV e Santander financiam até 100% do sistema (sem entrada). A Solfacil também. Bancos públicos como BNB e BNDES podem exigir entrada de 10-20%. Consórcios não têm entrada obrigatória, mas lance aumenta a chance de contemplação.