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Energia Solar Explicada
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guias 12 min de leitura

Como escolher a melhor empresa de energia solar: 12 pontos que separam integrador sério de golpista

Critérios objetivos pra avaliar empresas de energia solar no Brasil em 2026. CNPJ, CREA, ART, certificação ABSOLAR e 12 pontos do checklist pré-contrato.

ES

Equipe Editorial

Energia Solar Explicada · Sobre nossa equipe

Vendedor de empresa solar brasileira mostrando projeto técnico detalhado a casal em escritório com kit de painéis ao fundo
A diferença entre um integrador sério e um golpista está nos documentos que ele apresenta antes de pedir dinheiro

CNPJ ativo + CREA registrado + visita técnica presencial + orçamento com marca e modelo de cada equipamento = empresa que merece seu dinheiro. Se faltar qualquer um desses quatro itens, nem abra a carteira. Não existe “melhor empresa de energia solar do Brasil” — rankings assim são pagos ou ficam desatualizados em seis meses. O que existe são critérios objetivos pra você avaliar qualquer integrador que aparecer no seu caminho.

E avaliar é urgente. Em fevereiro de 2025, a Operação Pleonexia da Receita Federal desarticulou um esquema de R$ 151 milhões em falsos investimentos solares que fez 6.300 vítimas em 732 municípios (Receita Federal, fev/2025). Na região de Pará de Minas (MG), famílias perderam até R$ 4 milhões com empresas que sumiram após receber pagamento antecipado (Rádio Santa Cruz, 2025). O mercado de geração distribuída brasileiro tem 51 GW de capacidade instalada e movimenta R$ 31,8 bilhões por ano (ABSOLAR, dez/2025). Onde tem dinheiro, tem gente querendo pegar atalho.

Cinco critérios que separam empresa séria de aventureira

1. CNPJ ativo e tempo de mercado

Consulte o CNPJ no site da Receita Federal. Empresa com situação cadastral diferente de “ativa” é eliminada na hora. Olhe a data de abertura: integradores com menos de 2 anos de CNPJ não são automaticamente ruins, mas exigem mais investigação. No mercado solar, que adicionou 319,9 mil vagas em 2026 (ABSOLAR), muita gente entra sem estrutura — e sai depois do primeiro problema técnico.

A natureza jurídica também importa. MEI (Microempreendedor Individual) tem limite de faturamento de R$ 81 mil por ano. Um sistema solar residencial de 5 kWp custa entre R$ 17 mil e R$ 22 mil (Greener, 2025). Uma empresa MEI que vende 5 sistemas por mês já estourou o limite legal. Se o CNPJ é MEI e a empresa promete instalar dezenas de sistemas por mês, tem algo errado.

2. Registro no CREA e ART emitida por projeto

Toda instalação de sistema fotovoltaico precisa de um responsável técnico — engenheiro eletricista ou engenheiro de energia — registrado no CREA da região. A Resolução 1025/09 do CONFEA determina que nenhuma obra elétrica pode começar sem a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) assinada. Técnicos em eletrotécnica podem assinar projetos de até 800 kVA (Resolução 74/2019 do CFT), o que cobre a imensa maioria dos sistemas residenciais.

Peça o número do CREA do responsável técnico e consulte no site do conselho regional do seu estado. Se a empresa diz que “não precisa de ART pra sistema pequeno”, descarte. A ART é o documento que responsabiliza alguém se der errado — sem ela, você fica juridicamente desprotegido.

3. Avaliação no Reclame Aqui e Google

Pesquise o nome da empresa no Reclame Aqui. Dois indicadores importam mais que a nota: o índice de solução (acima de 70% é razoável) e o tempo médio de resposta (abaixo de 7 dias é bom). Empresa que não responde reclamações ou que tem índice de solução abaixo de 50% está dizendo que o pós-venda não existe.

No Google Meu Negócio, olhe a quantidade de avaliações e leia as negativas. Três reclamações sobre infiltração no telhado depois da instalação são mais informativas que 200 estrelas genéricas.

4. Portfólio real e referências verificáveis

Empresa séria mostra fotos de instalações reais — com geotag, data e, idealmente, depoimento do cliente. Peça contato de 2 ou 3 clientes anteriores pra ligar e perguntar: a geração está conforme o prometido? Houve algum problema no pós-venda? A homologação na distribuidora foi concluída no prazo?

Se a empresa nega referências ou só tem fotos de banco de imagem no Instagram, não é um bom sinal.

5. Certificação ABSOLAR (diferencial, não obrigatório)

A ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) tem um programa de certificação em três níveis: A, AA e AAA. O nível AAA exige auditoria de processos, equipe técnica qualificada e canal de ouvidoria. A certificação tem ciclo de 36 meses e é renovável. Não é obrigatória — a maioria dos integradores brasileiros não tem —, mas quem tem passou por um crivo que a maioria não se submeteu.

Consulte a lista de empresas certificadas no site certificacaoabsolar.org.br. Se o integrador que você está cotando tem o selo, é um ponto a mais. Se não tem, não é motivo pra descartar — mas os outros 4 critérios precisam estar todos verdes.

Cinco critérios para avaliar empresa de energia solar: CNPJ ativo e tempo de mercado, CREA e ART, Reclame Aqui acima de 70% de solução, portfólio verificável e certificação ABSOLAR
Os 4 primeiros critérios são obrigatórios — a certificação ABSOLAR é diferencial (dados CONFEA, ABSOLAR, fev/2026)

Red flags: quando o orçamento é a própria armadilha

Preço muito abaixo do mercado. Um sistema de 5 kWp custa entre R$ 17 mil e R$ 22 mil instalado em 2026 (Greener, 2025). Se alguém oferece o mesmo sistema por R$ 10 mil, ou está usando equipamento sem selo INMETRO — que é obrigatório no Brasil para painéis e inversores (Portaria 515/2023 do INMETRO) —, ou vai cobrar a diferença em custos ocultos, ou simplesmente não vai entregar.

Pagamento 100% antecipado. O padrão de mercado é pagamento em etapas: sinal na contratação (20% a 30%), parcela após instalação dos painéis solares e saldo após a vistoria, homologação e troca do medidor bidirecional. Empresa que pede o valor total antes de instalar um único parafuso no seu telhado é a maior red flag que existe. Foi exatamente assim que os golpistas de Pará de Minas operaram.

Sem visita técnica presencial. Nenhum orçamento sério pode ser fechado sem que alguém vá ao seu telhado avaliar orientação, inclinação, sombreamento, tipo de telha e estado da estrutura. Empresa que manda proposta por WhatsApp com base no Google Maps está pulando a etapa que define se o sistema vai gerar o que promete. Sombra de caixa d’água, árvore vizinha, telhado de fibrocimento com mais de 15 anos — nada disso aparece numa imagem de satélite.

“Promoção” com pressão de tempo. “Esse preço é só até sexta-feira.” “A próxima tabela vem 20% mais cara.” “Essa condição especial é pra fechar hoje.” Pressão de urgência é técnica de venda que funciona justamente porque impede você de comparar. Um sistema solar gera energia por 25 anos — e com a Lei 14.300/2022 e o Fio B progressivo, o cálculo de payback já está definido pra quem homologa agora. Você pode levar duas semanas pra decidir sem perder nada.

Promessa de geração sem dimensionamento detalhado. “Esse sistema zera sua conta de luz” sem mostrar a conta: consumo mensal em kWh, HSP da sua cidade, fator de perdas, custo de disponibilidade. Se a empresa não usa a irradiação do CRESESB/INPE pra calcular a geração, está chutando. A calculadora de payback mostra como essa conta funciona na prática — compare com o que a empresa promete.

Como comparar 3 orçamentos sem ser engenheiro

Pedir no mínimo 3 orçamentos não é paranoia — é o mínimo pra entender se o preço está dentro da faixa e se o dimensionamento faz sentido. O problema é que a maioria das pessoas não sabe o que comparar. Preço total é só uma das variáveis.

Pegue os três orçamentos e abra lado a lado. Cada um precisa ter, no mínimo: marca e modelo exato do painel (ex: Canadian Solar HiKu7 CS7N-550MS), marca e modelo do inversor (ex: Growatt MIN 5000TL-X), quantidade de painéis, potência total em kWp, tipo de estrutura de fixação, string box, cabeamento, se a homologação na distribuidora está inclusa ou é cobrada à parte, e prazo de conclusão de todas as etapas — da instalação à troca do medidor.

Se um orçamento diz apenas “kit solar 5 kWp” sem especificar componentes, descarte. Sem marca e modelo, você não sabe se está recebendo um painel Canadian Solar de R$ 900 (tier 1, classificação PVEL) ou um painel sem marca de R$ 400 que não está na lista de melhores placas. A mesma lógica vale pro inversor: um Growatt MIN de R$ 3.000 é diferente de um inversor genérico de R$ 1.200.

Compare também a garantia. O padrão de mercado é: 25 anos de garantia de performance nos painéis, 12 anos de garantia de produto nos painéis, 10 anos no inversor string e 1 a 3 anos na mão de obra. Se a empresa promete “garantia vitalícia” sem especificar o quê está cobrindo, pede o documento por escrito.

Tabela comparativa de 3 orçamentos fictícios de energia solar: Empresa A com Canadian Solar e Growatt por R$ 19.500, Empresa B com Jinko e Deye por R$ 21.200 e Empresa C com painéis genéricos por R$ 14.800 sem ART inclusa
Orçamento C é R$ 5 mil mais barato — mas sem marca nos painéis, sem ART e sem homologação inclusa, o custo real sobe

Uma dica que economiza dor de cabeça: pergunte se a homologação está inclusa. A homologação é o processo junto à distribuidora (Enel, CPFL, Cemig, Energisa) que autoriza seu sistema a injetar energia na rede e gerar créditos. Custa entre R$ 200 e R$ 500 em taxas da distribuidora, mas o trabalho burocrático — projeto elétrico, diagrama unifilar, ART, protocolo — consome horas do engenheiro. Integrador que cobra isso à parte muitas vezes não inclui a ART no orçamento original. E sem ART, a distribuidora nem analisa o pedido.

Integrador local vs franquia nacional

Essa é uma dúvida real pra quem tem 3 orçamentos na mesa: a empresa menor da cidade pode ser melhor que a franquia grande?

O integrador local conhece a distribuidora da sua região, sabe quais documentos costumam gerar reprovação e muitas vezes resolve problemas de pós-venda no mesmo dia. A desvantagem: se ele fechar as portas — e em 2025 mais de 1.200 empresas solares fecharam só em Minas Gerais por causa de problemas com inversão de fluxo na Cemig (Canal Solar, 2025) —, a garantia da instalação vai junto. O dono da empresa é o engenheiro, o vendedor e o eletricista. Se acontecer algo com ele, acabou.

A franquia nacional (Portal Solar, SolarPrime, Blue Sol e similares) tem marca, processos padronizados e alcance geográfico. O ponto fraco: o atendimento é menos personalizado, os instaladores muitas vezes são terceirizados e, se der problema, você fala com um SAC centralizado que não conhece o seu telhado. Franquias também costumam ser 10% a 20% mais caras que integradores locais pelo custo da estrutura e dos royalties.

Na prática, o que mais importa não é o tamanho da empresa — é se ela cumpre os 5 critérios acima. Um integrador local com CREA, ART, portfólio verificável e 3 anos de mercado é mais seguro que uma franquia que terceiriza tudo e não emite ART em nome próprio. E uma franquia consolidada com engenheiro próprio e selo ABSOLAR é mais segura que um integrador local de 6 meses sem referências.

Checklist pré-contrato: 12 pontos pra verificar antes de assinar

Antes de assinar qualquer contrato de energia solar, verifique cada um desses itens. Não é burocracia — é proteção. Cada ponto aqui surgiu de reclamações reais no Reclame Aqui e de processos judiciais contra integradores em 2024 e 2025.

Checklist de 12 pontos para verificar antes de assinar contrato de energia solar
# Item Como verificar
1 CNPJ ativo Consulta no site da Receita Federal (situação cadastral "ativa")
2 CREA do responsável técnico Consulta no site do CREA do seu estado
3 ART inclusa no orçamento Pergunte diretamente e confirme no contrato
4 Visita técnica presencial realizada Registro fotográfico do telhado feito pela empresa
5 Marca e modelo de painéis especificados Verificar na tabela INMETRO de módulos fotovoltaicos
6 Marca e modelo do inversor especificados Verificar selo INMETRO e garantia do fabricante
7 Dimensionamento detalhado (kWp, HSP, perdas) Comparar com a calculadora de dimensionamento
8 Homologação inclusa no preço Confirmar no contrato que a empresa protocola na distribuidora
9 Prazo contratual de conclusão Data-limite para troca do medidor, com multa por atraso
10 Garantias por escrito (painéis, inversor, mão de obra) Documento separado ou cláusula contratual específica
11 Pagamento em etapas Sinal (20-30%) + parcela pós-instalação + saldo pós-homologação
12 Nota fiscal emitida NF-e de serviço + NF-e dos equipamentos (separadas ou conjunta)

Se o integrador cumpre os 12 pontos, você está contratando direito. Se falhar em 3 ou mais, procure outro. O passo a passo completo de como instalar energia solar em casa detalha cada etapa do processo — da avaliação do telhado à troca do medidor — e complementa este checklist com os prazos reais de cada fase.

Quer comparar empresas de energia solar na sua cidade usando esses critérios? No nosso diretório de empresas de energia solar você encontra instaladoras avaliadas por nota no Google, Reclame Aqui, tempo de mercado e situação do CNPJ.

Perguntas frequentes

Preciso pedir alvará da prefeitura pra instalar painéis solares? Na maioria dos municípios, sistemas de microgeração (até 75 kW) não exigem alvará. Mas existem exceções em cidades com legislação urbanística restritiva ou imóveis tombados. Vale uma ligação rápida pra prefeitura antes de fechar contrato.

A empresa precisa ter engenheiro eletricista no quadro? Precisa ter um responsável técnico habilitado — engenheiro eletricista, engenheiro de energia ou técnico em eletrotécnica (pra sistemas até 800 kVA). A ART assinada por esse profissional é obrigatória em cada projeto. Sem ART, a distribuidora recusa a homologação.

Empresa que só vende kit solar (sem instalação) é confiável? Depende. Distribuidores de equipamentos como Aldo Solar e NeoSolar vendem kits para integradores, não para consumidores finais. Se você comprar kit direto, vai precisar contratar um integrador separado pra instalar e homologar. O risco é que, se der problema, cada um culpa o outro. Pra residencial, contrate o pacote completo.

O que fazer se a empresa sumir depois de receber o pagamento? Registre boletim de ocorrência, reclame no Reclame Aqui e no Procon, e entre com ação no Juizado Especial (até 40 salários mínimos não precisa de advogado). Se a empresa tinha CNPJ e ART, esses registros ajudam a rastrear o responsável. Se não tinha, a recuperação do dinheiro fica bem mais difícil — por isso o checklist pré-contrato existe.

Certificação ABSOLAR garante que a empresa é boa? Garante que ela passou por auditoria de processos e tem estrutura mínima de qualidade. Não garante que toda instalação será perfeita. Mas é o melhor filtro disponível no mercado brasileiro hoje — empresas AAA têm canal de ouvidoria e renovam a certificação a cada 36 meses.

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